Manifesto das Redes Livres
Dado o estado atual da rede de redes, a internet, que é principalmente operada e controlada a nível mundial por um pequeno número de corporações internacionais cuja motivação principal é meramente econômica; e considerando as implicações que isto tem no curso que está tomando o desenvolvimento da rede de redes, os membros e ativistas das Redes Livres manifestamos que:
Uma rede livre é aquela rede informática que é construída e administrada colaborativamente por seus próprios usuários e apresenta no mínimo estas características:
- Garanta a descentralização e evita a monopolização de recursos, a coerção e a opressão.
- Respeita a neutralidade da rede.
- Garanta o acesso público e livre.
- Sua estrutura é de rede distribuída; o crescimento é possível a partir de qualquer ponto existente.
- A interconexão se realiza entre pares que podem publicar ou receber serviços e conteúdos em igualdade de condições.
- Promove a criação de outras redes livres, sua interconexão e interoperabilidade.
Estratégias e Ações Comuns
a. Priorizar a interação com outros atores da sociedade que promovam o bem comum. Por exemplo, mas não limitando-se a:
- Instituições do sistema educativo e de saúde.
- Organizações sociais formais ou informais.
b. Promover o intercâmbio de saberes necessários para a apropriação social das tecnologias que tornam possível a existência das redes livres.
c. Utilizar software livre para a implementação dos diferentes componentes da rede. Quando não existirem alternativas livres, se promoverá seu desenvolvimento.
d. Promover o uso de licenças livres, não somente em matéria de software como também de qualquer produção amparada pelo direito do autor.
e. Defender o direito a livre circulação e acesso a informação e o conhecimento.
f. Trabalhar para conseguir a participação das redes livres nos Pontos Neutros das zonas de onde se implantam como estratégia para: ampliar seu alcance, melhorar as possibilidades de interconexão entre redes livres e defender os princípios de liberdade, neutralidade e bem comum dentro da infraestrutura de comunicação da sua região.
g. Promover ações que visem o reconhecimento por parte dos Estados da existência das redes livres e que estes modifiquem suas legislações pertinentes para facilitar sua criação e expansão. Para facilitar a criação de redes livres, as legislações nacionais deveriam contemplar-las como um ator de primeira ordem na estrutura de comunicações do país, considerando a importância que seu desenvolvimento representa para o bem comum. A experiência demonstra que as redes livres:
- Aumentam, em sua área de cobertura, o nível de acesso as novas tecnologias, independentemente das condições sócio-econômica da população.
- Representam uma oportunidade única nas áreas onde a implantação das redes de operadoras tradicionais é economicamente inviável.
- Em complemento as políticas de Estado de "inclusão digital", as redes livres podem prover a capilaridade necessária para que as ações cheguem realmente a população que mais necessita.
Anexo 1: apontamentos técnicos (somente algumas notas por enquanto)
Para manter a estrutura da rede distribuída, deveremos tentar sempre manter rotas redundantes entre os nós que compõe a rede.
Sobre o ponto a.5 do Manifesto, "a interconexão deve ser entre pares...", é desejável que:
- A redes provenham números de IP fixos e um serviço interno de resolução de nomes de domínio.
- O tamanho da banda seja simétrico.
Anexo 2: Licença - Localização do Pico Peer Agreement
1. Trânsito livre:
- - O proprietário aceita permitir o trânsito livre através de sua rede livre
- - O proprietário acorda não modificar nem interferir com a informação que circula por sua rede livre
2. Comunicação aberta:
- - O proprietário acorda publicar a informação necessária para que a interconexão seja possível
-
- A informação deverá ser publicada abaixo uma licença livre
- - O proprietário aceita estar disponível para ser contatado e proverá ao menos um endereço de correio eletrônico
3. Sem garantias:
-
- Não há níveis de serviço garantidos
-
- O serviço é fornecido "como tal", sem garantia ou responsabilidade de nenhum tipo
- - O serviço pode reduzir-se ou desaparecer em qualquer momento sem notificação
4. Termos de uso:
-
- O proprietário tem direito a formular uma "política de uso aceitável"
-
- Esta pode conter ou não informação sobre serviços adicionais fornecidos (a parte do acesso básico)
- - O proprietário é livre de formular esta política, desde que não contradiga os pontos 1 a 3 deste acordo (ver ponto 5)
5. Modificações locais:
- (modificações que cada rede considere pertinentes)
6. Cláusulas particulares do nó:
- (para ser completado pelo proprietário do nó quando este documento for implementado)
Anexo 3: Glossário (para ir completando)
- Neutralidade da rede: ausência de discriminação, limitação ou deturpação da transmissão de dados em função da origem, destino, protocolo ou conteúdo.
- Nó
- Rota (roteamento)
- Ponto neutro:
- Software livre:
- Licenças livres:
- Proprietário: o dono do nó tem o direito de operar seu equipamento de rede e de doar parte de sua funcionalidade a rede livre
- Trânsito: é a troca de informação dentro, até fora, ou através de uma rede
- Trânsito livre: o proprietário não cobrará pelo trânsito de informação nem a modificará
- Rede livre: é a soma dos recursos interconectados de hardware e software, cujo trânsito livre htem sido doado pelos proprietários destes recursos
- O serviço: o serviço está composto do trânsito livre mais os serviços adicionais
- Serviços adicionais: em termos do PPA, um serviço adicional é qualquer coisa que se provenha adicionalmente ao trânsito livre. Por exemplo: a provisão de um servidor dhcp, um servidor web ou um servidor de correio eletrônico